sábado, 21 de dezembro de 2019
A chuva sobre as ovelhas
Enquanto flechas de chuva lhes ferem o lanígero envoltório, as ovelhas parecem adquirir uma espécie de imobilidade meditativa, como se apenas aguardassem o dilúvio definitivo ou o solene ingresso na Unidade primordial, onde se apagam as disparidades e se diluem as semelhanças, onde o ser e o nada trocam amigavelmente de lugar, onde os balidos se não diferenciam dos silêncios. O rio cresce, engole as margens. E, observando o espectáculo por entre carvalhos nus, aqueles animais, sentindo já na pele a ferocidade líquida, assumem essa postura quase enigmática, tolhidos de espanto, moldados de quietude.
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Gosto de seus escritos. São cheios de pespicácia e ternura. Este último me envolveu num novelo macio.
ResponderEliminarTenha um Feliz Natal, querido amigo da terra dos meus ancestrais.
Beijos. Bônia
Muito obrigado, Sônia. Um Feliz Natal também para si.
Eliminarcorrigindo: perspicácia.
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