sábado, 30 de novembro de 2019
A carta
É mais ou menos célebre a anedota do louco, no manicómio, que se encontra a escrever uma carta a si mesmo e que, interrogado pelo psiquiatra sobre o conteúdo nela expresso, oferece esta resposta, em forma de pergunta: “Como é que eu hei-de saber se ainda não a recebi?” Sitiada pelas sombras da loucura, num jogo de estranhos reflexos, a existência individual identifica-se obscuramente com essa carta: quer da parte de quem a redige e envia quer da de quem a recebe e tenta ler, ela será sempre um documento indecifrável.
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A existência é indecifrável porque usamos a mente para decifrá-la.
ResponderEliminarÉ um pouco como um trecho da poesia VELHO TEMA, de Vicente de Carvalho:
Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,
Existe, sim: mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos
Talvez o melhor mesmo seja não pôr essa árvore em lugar nenhum :)
EliminarAté porque ela nem deve existir :)
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