«Fiz leilão de mim», escrevia Artur Ribeiro e muitos o cantaram. A hasta correu mal: ninguém quis saber do lote em causa. «Diz-me a pouca sorte / que para castigo / até vir a morte / vou ficar comigo», desabafa o sujeito poético. Certo, no entanto, é que a pessoa que seja capaz de «ficar consigo até à morte» – ou de coabitar com a sua persistente e inevitável sombra –, sem conflitos internos que a dilacerem nem discórdias auto-punitivas que a torturem, jamais terá necessidade de fazer leilão de si mesma. Ou de arrematar outro eu.
"Fiz Leilão de Mim" (Tony de Matos): aqui
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