segunda-feira, 23 de setembro de 2019

A omnipresença da vaidade

«Eu, que disse mal das Vaidades, vim a cair na de ser Autor», escreve Matias Aires no prólogo do seu livro mais proeminente. O problema é que a extinção da vaidade ocorre se, e apenas se, ocorrer a extinção do eu – ou da ilusão que o eu constitui. Significa isto, portanto, que não existe a vaidade de não ter um eu – embora a tentativa de se despojar dele, a fim de abolir a vaidade própria, resulte, com frequência, de um impulso da própria vaidade.

Sem comentários:

Enviar um comentário