terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

«Não quero nada»

Intérpretes da filosofia budista, com Schopenhauer à cabeça, afirmarão que para atingir o Nirvana é necessário (quiçá suficiente) extinguir o desejo e anular a vontade. Talvez sirvam então de mantra, nesse processo libertador, dois conhecidos versos de Álvaro de Campos: «Não: não quero nada. / Já disse que não quero nada.» E quando, tocado o cume e obtida a iluminação, alguém perguntar ao discípulo, agora fonte de mestria, «Como conseguiste alcançar o Nirvana?», ele poderá, simplesmente, dar a seguinte resposta: «Não sei. Foi sem querer.»