sábado, 14 de setembro de 2013

INTROSPECÇÃO

        Auguste Comte negava-lhe valor científico: na introspecção, o sujeito observador coincide com o objecto observado. E «ninguém pode estar à janela para se ver passar na rua». Tese plausível, frágil argumento: embora coincida com o objecto, o sujeito não coincide consigo próprio. Se a introspecção carece de rigor, é justamente pelo facto de, na vida mental, ser possível estar à janela e ver-se passar na rua – ou passar na rua e ver que se está à janela.

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