quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

VALER OU NÃO A PENA

Interroga-se o honesto ao ouvir falar do pequeno furto no supermercado: «Será que vale a pena um indivíduo sujar-se por tão pouco?» A questão parece sugerir que por roubos substanciais vale sempre a pena um indivíduo sujar-se. Muita corja, na política e arredores, aprovaria tal sugestão na prática, sem ver aí motivo de espanto, embaraço ou ignomínia. De qualquer modo, convém ficarmos atentos perante a inocente formulação dessa pergunta – sobretudo se ela for colocada por nós próprios.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

INTERPRETAÇÃO DE SONHOS

Salvador Dalí, O Toureiro Alucinogénio, c. 1968-70. 

Interpretar sonhos – sobretudo os menos óbvios – é desde logo interpretar uma anterior interpretação: aquela que o inconsciente faz de si mesmo, recorrendo a imagens e símbolos. Se o sonho for lúcido, haverá que admitir uma segunda interpretação: aquela que a consciência, desperta no sono, efectua relativamente a esses conteúdos, inclusive alterando-os. Se o sonho pertencer a outra pessoa, teremos ainda a interpretação que ela, descrevendo-o, não evita. Interpretar sonhos constitui, assim, uma ousadia que vale a pena.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

CANTO DA SALA

René Magritte, A Sala de Escuta, 1958.

Eleger um dos cantos da sala – não só para observar, senão também para reduzir o incómodo do olhar do outro – representa uma escolha de convivência baseada num pressuposto de cariz matemático: incluindo chão e tecto, quatro faces do cubo garantem mais resguardo social que apenas duas. Os obstáculos à opção residem na eventualidade de haver muitos interessados ou de as paredes do aposento serem feitas de vidro transparente. Mas é importante não temer essas excepções quase irreais.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O TRABALHO E A ESSÊNCIA

Diego Rivera, Construção do Palácio de Cortés, 1930-1931.

Afirmar, à semelhança de Karl Marx, que o trabalho é a essência do Homem equivale a cometer dois pecados simultâneos: o de crucificar a espécie, fazendo dela uma cansativa apoteose do esforço, e o de maltratar o ócio, fazendo dele uma ocorrência acidental da espécie. Ora, não se exclui a hipótese de a eventual essência humana ser mais núcleo de repouso que febre de movimento, mais contemplação do mundo que tendência inelutável para lhe alterar a figura.

domingo, 27 de janeiro de 2013

OBLIQUIDADE


 O poema Chuva oblíqua, de Fernando Pessoa, parece pressupor, em virtude do título, que há chuvas desprovidas de obliquidade – ou quedas perfeitamente verticais de gotas de água. À facilidade de o conceber junta-se a dificuldade de o provar. Em todo o caso, é interessante o facto de aceitarmos a expressão «perfeitamente vertical», mas resistirmos ao uso da expressão «perfeitamente oblíquo». Talvez achemos que a vertical e a horizontal perfeitas constituem ideais a atingir pelas nossas oblíquas existências.

sábado, 26 de janeiro de 2013

O BOLSO ANIQUILANTE


Suponho que numa animação de Bill Plympton, um homem, após meter a mão na algibeira, é por esta sugado até desaparecer completamente. Poderíamos estar perante uma alternativa à morte e à certeza que dela se tem, desde que a extinção ocorresse, de igual forma, na memória dos vivos. Mas só um reajuste súbito do mundo levaria a evitar a ideia de que algo estranho acontecera, garantindo também aos bolsos que permanecessem a entrada secreta para o esquecimento. 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

DESCOBERTAS CONCILIANTES


    Aprofundando a abordagem ao mundo inteligível, Platão parece ter recusado a existência de Ideias de objectos de escassa nobreza, como lama ou pêlo. Ora os cientistas acabam de revelar que os escaravelhos, empurrando bolas de estrume, se orientam pela mancha luminosa da Via Láctea. Eis uma descoberta de valor cósmico que, vencendo pruridos do inventor da alegoria da caverna, ajuda à conciliação entre o insecto errante e a fulgurosa estrela, o vil excremento e o esplendor sublime.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

CAUSA E EFEITO


      Na base das regularidades da natureza, que os cientistas demandam com anelo, encontra-se o sacrossanto princípio da causalidade. Ora se, como David Hume, admitirmos que tal princípio, suportado pelo hábito, carece de fundamento racional e imaginarmos que também das coisas ele se acha, de facto, ausente, reduzindo-se à expressão do nosso desejo de ordem, a mente abandonará todos os hiatos que permitem à causa gerar o efeito. Será esse o início de uma bela e inútil plenitude.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

RESULTADO

Ansel Adams, Canyon de Chelly National Monument, 1942.
Se o que somos hoje é o resultado exacto do que até hoje fomos, existe pelo menos uma operação aritmética – ou várias, incluindo adições sombrias, subtracções indulgentes, multiplicações perigosas e divisões imparciais, devidamente conectadas – que todos realizam com sucesso, sem que um mínimo esforço se lhes peça. Contas assim, susceptíveis de dar razão aos adeptos do destino universal, não servem de consolo a quem prefere achar a sua vida um tremendo equívoco. Mas o argumento parece irrefutável.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

NUVEM E NEVE


Por vezes, nuvem e neve confundem-se no topo dos montes. Se avançarmos até esse ponto, não esqueçamos que também aí nos podemos desiludir. Coube-nos em sorte a textura do efémero. A nossa casa de células não foi edificada para uma cidade eterna. Salvemos em tudo isto, pelo menos, a sombra de uma sombra. Não vá o dia privar-nos da memória das coisas breves, dos fragmentos que prolongamos, do contraste que há entre o esplendor e a vertigem.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

FOSSEM OS PENSAMENTOS VISÍVEIS


Fossem os pensamentos visíveis a olhos comuns – por exemplo, numa faixa de vinte centímetros medidos a partir do crânio – e a preocupação com a imagem revelar-se-ia muitíssimo superior àquela que, geralmente, aflige a criatura humana. Distintas formas e cores encheriam os cenários de dentro, convertidos afinal em paisagens de fora. Mas também pode suceder que tal inquietação jamais se manifestasse. Universalmente exposta a estrutura de cada segredo, nem o eu nem o outro teriam ilusões a acrescentar.

domingo, 20 de janeiro de 2013

O DISCURSO VAZIO

Herbert Bayer, Habitante solitário da grande cidade, 1932.
         O discurso vazio não reclama de quem o produz mais do que a entrega exclusiva às palavras, deixando que elas definam o curso e a substância das ideias. As suas grandes vantagens são a de pouco exigir do raciocínio e a de nada pedir à emoção. Errado será pensar que nele se espelha o chamado vazio interior. Este – que se diferencia da escassez de reflexão e da secura da inteligência – exprime-se, em geral, mediante estratégias menos desonestas.

sábado, 19 de janeiro de 2013

O VÉU


      Na «posição original», sob um «véu de ignorância», os indivíduos, acredita John Rawls, sentir-se-iam impelidos a favorecer, num quadro de justiça, aqueles que pudessem ocupar a situação social mais ingrata, receando a hipótese de virem a ser eles os contemplados. Só que o «véu de ignorância» não garante a ignorância do véu. Mesmo desconhecendo concepções de vida e tendências psicológicas próprias, ninguém desconheceria o facto de as desconhecer. E nessa altura também não faltaria quem tentasse adivinhar.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O CAMINHO A SEGUIR

Edward Hopper, Cinema em Nova Iorque, 1939.
Na obra Da Alvorada à Decadência, Jacques Barzun salienta que estamos numa época em que as formas de arte e de vida parecem esgotadas. Nenhuma novidade se afigura susceptível de contrariar este cenário de tédio e repetição frustrante. O tempo é de inquietações, sem que se vislumbre o caminho a seguir. Mas pode suceder que tal caminho se descubra ao tomar-se consciência de que as formas de arte e de vida são intermináveis reinvenções umas das outras.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O ARQUEIRO


Tratava-se de um arqueiro exímio: começava por atirar a flecha; seguidamente, fazendo-a coincidir com o centro, desenhava o alvo em redor. Procedemos de modo semelhante ao pretender definir um sentido para a vida: primeiro, existimos lançados em situações concretas, adoptando os valores implícitos; depois, colocamos a toda a volta as razões e os fins que nos justificam. A analogia, no entanto, encerra duas falhas: nem a vida, enquanto vida, se detém – nem o sentido nela se eterniza.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

VIAS HERMENÊUTICAS (1)

Vieira da Silva, O Metropolitano, 1940.

De vários modos afirmaram sábios que «não há problemas entre o mundo e o eu, apenas entre o eu e a interpretação que ele faz do mundo». Mais abrangente surge a ideia ao admitirmos que o mundo se reduz à interpretação que dele se faz. E ainda mais completo se afigura tal pensamento ao concedermos que também o eu se reduz à interpretação. Consequentemente, poderia dizer-se que «não há qualquer problema a resolver, só interpretações a acontecer». 

(1) Por tempo indeterminado, o número de palavras manter-se-á (77). Esta indicação, porém, vai ser retirada do título, porque me parece cansativa.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

CEPTICISMO E DESESPERO (77)


Contrariamente ao que julgará um ser humano dado à devoção, o cepticismo religioso nada tem, em si mesmo, de desesperante. A emergir em descrentes almas, o eventual desespero associado a tal atitude é subproduto de perdas de fé mal resolvidas, não fruto de actos de razão bem-intencionados. Diluída a sede do eterno, extinta a nostalgia da unidade, o cepticismo religioso constitui, na sua forma originária, um modo de enfrentar acasos em ponto grande e expectativas em miniatura.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

MEDITAR (77)



Numa acepção que o iogue aprova, meditar equivale a suspender o exercício do pensamento. Numa acepção que o filósofo subscreve, meditar equivale a debruçar o pensamento sobre si mesmo. O segundo sentido facilita a compreensão das virtudes do primeiro: quanto mais abstractas são as ideias, menos se agita e distrai o intelecto; quanto menos este se distrai e agita, menor é o intervalo que o separa daquele ponto imóvel e secreto onde os conceitos perdem o fulgor.

domingo, 13 de janeiro de 2013

PARA LÁ DOS "ISMOS" (77)

Salvador Dalí, Criança Geopolítica Observando
o Nascimento do Homem Novo
, 1943.

Condição necessária para que um indivíduo se conheça radicalmente é afastar, em jeito de catarse, todos os ismos com que atravancou o intelecto e encobriu a sua estrutural nudez. Fazendo-o, descobrirá a solidão irremissível que sempre o acompanhou e que, intuída de modo autêntico, não costuma gerar queixa nem exigir tratamento psiquiátrico. Tal solidão ultrapassa aquela que institui o solipsismo – derradeiro ismo a suspender antes de se ficar face a face com essa extraordinária certeza do existir.

sábado, 12 de janeiro de 2013

NA AULA - VI (77)

René Magritte, O Jogador Secreto, 1927.

Lembra Comte-Sponville que se filosofa «para salvar a pele a alma». A ideia, sugerindo a intensidade existencial subjacente ao exercício do filosofar, apenas terá eco junto do adolescente – como do adulto – se nele a inquietação já começou a reinventar-se através da palavra. Mas importa insistir. Concluída a prova, um aluno exclama, triunfante: «É o último teste de Filosofia que tenho na vida!» Trato de o desenganar: «Não pense nisso. A vida é um verdadeiro teste de Filosofia.»

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

NA AULA - V (77)

M. C. Escher, Intersecção de Dois Planos, 1952.

           Imagino um «espírito da turma», entidade formalmente idêntica ao hegeliano «espírito do povo» (Volksgeist). O «espírito da turma» define um modo potencial de ser, típico dessa turma, que os alunos actualizam nas aulas. Nalguns casos, tal «espírito» cultiva o horror ao silêncio: os miúdos não se calam. É também de grupos assim que surge, por vezes, a questão: «O stôr acredita na existência do Diabo?» A resposta parece óbvia: «Fui forçado a acreditar desde que vos conheci.»

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

NA AULA - IV (77)

Vieira da Silva, Corredor Sem Limite, 1942-1948.

A ideia de morte engendra subtilmente a de imortalidade. Encontro-me agora em aula de substituição. O professor ausente deixou plano; mas os alunos desta turma do nono juram não dispor de material que o permita cumprir. Importa mantê-los sentados. Se possível, ensinar-lhes algo. Falo-lhes de filosofia. O tema da morte surge, inevitável. Um aluno afirma haver certo planeta onde a morte não existe. Pergunto-lhe que planeta é esse. Responde o moço: «É aquele que ainda falta descobrir.»

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

NA AULA - III (77)



Comparados ao infinito espacial, que os sábios juram desprovido de centro e periferia, geocentrismo e heliocentrismo valem o mesmo. A recusa da teoria de Ptolomeu decorre do facto de a de Copérnico se ter revelado mais adequada ao entendimento dos nossos legítimos e usuais limites. Mas o universo das palavras – cujas potencialidades são humanamente inesgotáveis – sugere-nos outras modalidades de infinito. Inicio uma frase que não sei como concluir: «Depois de Galileu…» Um aluno intervém: «Tudo se rompeu.»

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

NA AULA - II (77)

Jacques-Louis David, A Morte de Sócrates, 1787.

As questões do teste referiam-se aos argumentos de defesa da imortalidade da alma expostos no Fédon, de Platão. Os pensamentos dos circunstantes talvez deambulassem entre a reminiscência, o mundo das Ideias e a realidade intangível que alegadamente governa o corpo. A certa altura, duas alunas decidem trocar palavras que mal distingo, embora adivinhe. Chamo-as à atenção. «Não estávamos a falar sobre a matéria», esclarece uma delas. Julgo ter compreendido: «Pois não. Estavam a falar sobre o espírito.»

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

NA AULA - I (77)



Nem todos os alunos se lembrarão de lançar a pergunta: «Stôr, é possível urinar por telepatia?» Aqueles, porém, que o fazem aguardam, em geral, respostas negativas ou, quando muito, opiniões marcadas por legítima dúvida. Devem ser raríssimos os casos de estudantes que esperam do mestre um discurso pausado, uma refutação científica ou uma certeza parapsicológica. Por conseguinte, é grande a probabilidade de o aluno, depois de ouvir a expectável resposta, solicitar uma ida à casa de banho.

domingo, 6 de janeiro de 2013

AMAR O INFINITO (77)

M. C. Escher, Águas Agitadas, 1950.

Compreende-se que os místicos de outrora, à semelhança aliás de muitos que hoje se entregam a ocupação idêntica, tenham preferido dispensar amor ao Infinito, em vez de o investirem nas finitas criaturas. Além de não trazer notáveis aborrecimentos nem ameaças de ciúme infrene, o Infinito constitui a permanente garantia de haver sempre um ponto genuíno e imaculado que acolhe mestres sem repelir neófitos – ponto onde nem a alma sazonada ganha tédio nem o espírito bisonho perde alento.

sábado, 5 de janeiro de 2013

ESTADO NATURAL DA MENTE (77)

Caspar David Friedrich, Vista do Báltico, c. 1820-1825.

Se se admitir que há um estado natural da mente, o mais plausível é que ele se traduza numa impecável neutralidade – afectiva, intelectual, volitiva, etc. Isto faz das emoções, dos pensamentos e dos desejos um conjunto de ocorrências desordenadas na superfície originariamente lisa de um mar quase anónimo – mar que se aproxima, em termos funcionais, de um telemóvel (com número atribuído) que não recebe nem envia mensagens de qualquer sorte, permanecendo silencioso até ao fim do tempo.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

MORTE E DESTINO (77)

Edouard Manet, A Execução de Maximiliano, 1867-68.

Lê-se em André Malraux que a «tragédia da morte está no facto de ela transformar a vida em destino» (1). A tese assemelha-se ao duplo rosto do deus Jano, parecendo tão plausível quando visa o futuro, pois a morte coloca um ponto final nas alegadas opções que podem surgir numa vida, como quando se volta para o passado, porque a vida se resume a um conjunto de processos inevitáveis se já se encontrar definida a hora da morte.

(1) André Malraux (2006), A Esperança, Lisboa, Editora Livros do Brasil, p. 244.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

MEMÓRIA (77)

M. C. Escher, Um Outro Mundo II, 1947. 

Se se trata de saber o que move o mundo, não faltam elegíveis candidatos. Já no tocante a decidir o que lhe confere estatuto de cosmos em vez de caos, a memória suplanta, certamente, qualquer rival que se ouse mencionar. Se banido das coisas, em toda a parte, o seu derradeiro vestígio (hipótese de concretização duvidosa), o mundo reduzir-se-ia a um montão, presumivelmente absurdo, de formas soltas ou matéria errante. Ninguém se haveria de importar com isso.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

CONVERGÊNCIA DIFÍCIL (77)

Edward Hopper, Anoitecer em Cape Cod, 1939.

Filosofias de índole mais ou menos personalista exortam: «Respeita a diferença. Não vejas o outro como um duplo eu.» Correntes de inspiração mais ou menos esotérica insistem: «Respeita a unidade. Vê o eu e outro como uma realidade apenas.» Claro que podemos elaborar raciocínios abstractos ou sugerir estratégias concretas que eliminem a discordância entre as duas abordagens. Mas a história da Humanidade constitui um desfile suficientemente persuasivo para nos fazer crer que tal oposição é sem remédio.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

AGENDAS (77)


Coleccionar agendas novas e vazias é um modo subtil de admitir a sua inutilidade. Admitir tal inutilidade é uma forma tácita de afirmar o valor do eu relativamente às tarefas que o incomodam. Afirmar tal valor é uma das maneiras de sacudir a pressão da lógica dos dias. Sacudir tal pressão é uma via implícita para concretizar desígnios libertadores. Coleccionar agendas é, por conseguinte, algo virtualmente libertador. Não o fazer (ou abandonar o exercício) é-o ainda mais.