sexta-feira, 23 de setembro de 2011

LIXO ANUNCIADO

         A história das vinte e seis peças do satélite UARS que se prevê caírem na Terra durante as próximas horas permite o estabelecimento de uma analogia em que entram também os regimes ditatoriais – e, claro, as formas mais duvidosas de regimes democráticos: alguns colocam o lixo potencial lá em cima; qualquer um pode levar com o lixo real cá em baixo.
A analogia está longe de ser perfeita: a probabilidade de ser atacado pela sujidade política é tremendamente maior do que a de ser atingido pelo detrito espacial. «Infelizmente!», dizem uns, focados apenas nos prejuízos efectivos da primeira. «Felizmente!», comentam outros, centrados tão-só nos danos imprevisíveis do segundo.
         O problema é que não se exclui a hipótese de se ser vítima de ambos os tipos de despejo. Nessa altura, haverá razões para perguntar se vale a pena o esforço de viver num mundo assim. Isto se as pancadas não tiverem sido suficientes para neutralizar a própria vontade de fazer questões.

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